O clube das chocólatras - Carole Mathews

Título: O clube das chocólatras
Original: The chocolate lover's club
Autor(a): Carole Mathews
Editora: Bertrand Brasil
Numero de páginas: 414

Solicitar O Clube das Chocólatras para resenha foi fruto de uma indicação feita, há alguns anos. Uma amiga o leu quando tínhamos cerca de quinze anos e disse ser “muuuito bom”. Relatou cenas hilárias e até um tanto adultas para nossa mente inocente, da época, e despertou interesse instantaneamente. Hoje em dia meu gosto literário evoluiu para algo que traga sensações mais substanciosas; o que não anula a possibilidade de um chick-lit ser uma leitura muito prazerosa, desde que bem desenvolvida. Mas não, não iniciei a leitura de O clube das chocólatras com grandes expectativas e talvez o que percebi ao fechar o livro e notar que ele fora uma leitura gostosa e indiscutivelmente rasa foi mais decepcionante do que se eu tivesse esperado algo mais.

A história gira em torno de quatro mulheres com personalidades que não poderiam ser mais distintas e uma paixão em comum que as aproxima mais, a cada encontro. Lucy, Nadia, Chantal e Autumn se conheceram, por acaso, na chocolataria Paraiso do Chocolate - um lugar acolhedor onde o casal gay, Clive e Tristan, criam suas guloseimas refinadas - e usam o chocolate como válvula de escape, desde então. 

São cerca de oitenta capítulos bastante curtos culminando em quatro focos narrativos, cada um correspondendo a uma personagem, alternando de terceira pessoa nos capítulos de Nadia, Chantal e Autumn e em primeira pessoa, no da Lucy. Apesar de o livro girar em torno das quatro, fica obvio pelo tipo de pronome usado nos capítulos de Lucy e por ter mais capítulos que qualquer outra personagem, que ela é o centro do enredo. De inicio, isso fica um pouco confuso, pois o primeiro capitulo introdutório é conduzido com uma voz quase intima e, algumas páginas depois, distante, mas onisciente, mas logo nos acostumamos e a agilidade com que os capítulos passam é considerável.

Conhecemos cada personagem de acordo com o passar das páginas e assistimos aos problemas pessoais “comuns” que elas passam. Um relacionamento que não vai bem, problemas financeiros, autoestima baixa e a acomodação com empregos medíocres são exemplos que ilustram a relação das mulheres com o resto do mundo. 

Essas relações, esses problemas pessoais que serviriam para tocar o leitor, tornar os personagens mais humanos, foram um pouco mal trabalhados e pareceram forçados e premeditados, assim como a amizade das quatro, em alguns momentos. Entendo que iam ao Paraiso do chocolate para relaxar e desabafar, mas me pareceu que tudo que elas tinham em comum era a necessidade de se encher de chocolate assim que ficavam ansiosas. Sim, elas estiveram lá quando alguma precisava, mas isso soou um pouco “fantoche”. Como se as personagens fossem personagens da Carole Mathews: não ganharam vida. 

Lucy teve destaque na maior parte do tempo e ganhou as ultimas 80 páginas praticamente para si, onde a autora pôde explorar com mais afinco, o romance que vinha desenvolvendo ao longo de toda trama. Apesar de clichê, essas partes acabaram se tornando as que devorei com mais rapidez e que mais agradaram, porque senti que Carole estava finalmente escrevendo algo que gostaria de escrever. Como se o Clube das Chocólatras e as ramificações de Nadia, Chantal e Autumn fossem, em parte, uma desculpa para este não ser mais um romance típico “Garoto-encontra-Garota”.

Foi uma leitura agradável, me roubou vários sorrisos e me fez virar páginas cada vez mais rapidamente, mas foi raso, superficial e talvez até irrelevante. É o típico chick-lit leve, divertido e romântico, mas faltou a espiritualidade. Faltou um pouco de alma. 

Deixa eu confessar uma coisa pra vocês: não sou fã de chocolate. Minha mãe compra duas barras por ano e dura mais que isso, se alguém não comer em meu lugar. Sou uma pessoa apaixonada por salgado; pizza, salgadinho, sanduíches, batata frita... Esses são meus prazeres culposos. É por essas coisas que eu me derreto e fico com água na boca só pela menção. Porque disse isso? Porque qualquer chocólatra que ler esse livro sente uma vontade enorme de abocanhar bombons atrás de bombons... Exceto eu, haha. As descrições são muito precisas, desde o recheio ao acabamento amanteigado e coisas do tipo. Logo, se você for amante de chocolate e chick-lits sem grandes ensinamentos: O Clube das Chocólatras vai, definitivamente, te deixar saciado. 

Classificação:
3 de 5. (Bom)

Na caixinha do correio #7


Bom dia, bonitinhos. São pouco mais das 6:00 da manhã e eu estou postando pra vocês, vejam só que blogueira dedicada! Esse post era pra ter saído ontem a tarde, mas tudo conspirou para que permanecesse no anonimato do desktop: o Movie Maker travava toda hora e o Youtube lerdou séculos pra upar. Talvez isso tenha sido um presságio, porque o vídeo está bem sem graça (Eu estava bem desanimada. Na verdade, estou assim a semana inteira.), mas eu sei que muita gente gosta de assistir e eu gosto de postar!

Espero que gostem e relevem; próxima vez eu estarei mais animada e terei coisas mais legais para mostrar pra vocês. Obrigada às editoras parceiras: Martin Claret, Bertrand Brasil e Intrínseca. E um grande obrigada à todo mundo que vai assistir, também. :)





Pessoas citadas: Nathália - Books in Wonderland.
(Correção: eu botei #6 no vídeo, mas é #7 mesmo.)

Marta - Breno Melo

Título: Marta
Autor(a): Breno Melo
Editora: Schoba
Numero de páginas: 216
ISBN: 9788580130140
Quando aceitei fazer parte do booktour de Marta, eu tinha muito pouca idéia do que se tratava. A única informação precisa que eu tinha era que a protagonista que dá nome ao livro era bipolar. Logo me interessei, pois histórias que tratam da mente humana sempre me despertaram grande fascínio e respeito, visto que é uma área difícil de ser estudada e provavelmente, de ser escrita.
Marta é uma adolescente bipolar que vive em Córdoba, na Argentina, faz faculdade de Jornalismo e mora com duas companheiras e amigas, Naila e Silvia - A amizade das três é igual às que eu tenho, que você tem, e isso permite que nos identifiquemos com aquela relação bem trabalhada -, mas não consegue ser feliz por completo por ter deixado seu grande amor, João, em sua antiga cidade, LaFalda.
Logo no inicio, Breno Melo nos apresenta três tipos de leitura que podem ser feitas, em cima de Marta. Nos alerta que seu romance de estréia pode ser analisado pelas seguintes ópticas: a popular, a médica, a filosófica e a pessoal. O que me faz ter certeza que eu faço parte da leitura popular e, quem sabe, pessoal é que eu não consegui encontrar o transtorno bipolar em nenhuma hora, na protagonista. Para mim, ela parecia uma adolescente influenciável e insegura, como milhões que temos mundo afora. As lamentações por estar longe de João e a certeza que seria sempre infeliz sem seu amado foram características melodramáticas e um tanto exageradas, mas não bipolares. (Isso pareceu ocorrer com muitos que leram, mas nenhum de nós, blogueiros, temos estudo sobre o assunto, o que quer dizer que pode muito bem ter sido falha nossa)
O que mais me cativou durante a leitura foi, sem duvidas, a maneira de escrever de Breno. A escrita dele é muito precisa e ao mesmo tempo, poética – alguns autores tentam instalar uma linguagem mais lírica e acaba soando forçado e premeditado, algo que não acontece na narrativa de Breno; tudo flui. Sabia conduzir o leitor e o envolver nos acontecimentos da vida de Marta e fazia referencias agradabilíssimas de serem lidas. As metáforas, figuras de linguagens e a forma impessoal, mas não distante do narrador – um psicólogo -, foram extremamente bem empregadas. Entretanto, a temática do livro; o enredo em si, não me cativou.
Provavelmente, essa falta de encantamento com a proposta do livro seja questão de afinidade. O livro não é meloso no sentido “juras de amor entre adolescentes”, mas me pareceu um pouco obsessivo. O que é normal entre os não correspondidos no amor: o amado se torna o centro dos pensamentos, mas continua não sendo uma faceta que me agrade. O final terminou de forma abrupta e eu senti uma pontinha de decepção pela maneira como se tem o desfecho; apesar de surpreendente, me deixou com algumas interrogações.
Foi uma agradável surpresa para mim, que a história não tenha sido o ponto forte e sim a escrita do autor. Marta pode não ter sido uma leitura muito apreciada pelo meu gosto literário menos sensível, mas com certeza me deu orgulho dos autores brasileiros, já que fica obvio que talento é o que  não falta para Breno Melo.
Classificação:
3 de 5. (Bom)

DIY: Agenda revestida com tecido (The Word Nerd's notebook)

(Não gosto nem um pouco de ficar sem postar, mas esses dias foram um pouco corridos. Tive briguinhas com minha mãe por causa do meu quarto pós apocalipse zumbi e passei o final de semana tentando arrumar. Depois eu simplesmente não tive inspiração, tudo que eu escrevia parecia sem graça, incompleto. Até agora ainda estou um pouco assim, mas melhorei da ressaca literária. Para completar, preciso estudar para o vestibular, o que me tira um bom tempo da frente do computador e dos livros, onde às vezes busco inspiração. De qualquer jeito, peço mil desculpas pelo meu sumiço. Próximo post tem resenha de O clube das chocólatras.)


Gosto de saber, pelo menos, um pouco de um monte de coisa. Fico meio desconcertada quando não conheço uma palavra em um livro e quando disponho de caneta e papel, acabo anotando para pesquisar o significado depois. Isso começou a pouco tempo, mas foi algo agradável de se fazer. Claro que eu não paro no meio de uma parte importante ou fico de cinco em cinco minutos anotando; assim que faço uma pausa e estou pronta para largar o livro, volto algumas páginas e procuro as palavras que não conheço.

Aí eu acabava perdendo o papel e, quando a palavra era muito pouco usada no dia a dia, acabava esquecendo o significado. Foi daí que surgiu a ideia de escrever num caderninho! Mas como eu gosto de personalizar minhas coisas, decidi "encapar" o moleskine que tinha com tecido, e fazer algo bem bonitinho que desse gosto de escrever. :)

É muito simples, você vai precisar de: um caderno ou agenda (preferencialmente sem espiral), cola branca,  tesoura, tecido e fitinha.
 

1 - Abra totalmente o caderno e deixe cerca de 3 ou 4 cm de distância das bordas, porque você vai precisar virá-las para dentro. 2 - Passe uma camada generosa e linear de cola em toda a superfície da capa. Primeiro de um lado - frente- e depois do outro - costa -.  


3 - Depois de ambos os lados colados, faça um pequeno corte de 1 cm no meio do caderno. Depois vire as bordas do tecido para dentro e cole na parte interna. (Se ficar mal acabado, pode colar papel cartão ou algo assim por cima, para encobrir os cantos mal feitos.) 4 - Use a fitinha no sentido vertical, alguns cm depois da lateral.  5 - Dobre a fitinha, como na foto e depois amarre com outro pedacinho de fita, no sentido horizontal. (Ou simplesmente faça um lacinho)


E o resultado foi esse aqui de cima! O livro do qual estou anotando palavras, no momento, é O mundo pós aniversário, da Lionel Shriver, que tem palavras bem complicadas.

PS: Tecidos com fundo branco tendem a aparecer o fundo do caderno. Cuidado para a cola não ficar mal espalhada e aparecer também! PS(2):Perdão pela falta de fotos, bonitinhos. Estava sozinha em casa e não tinha quem tirasse foto enquanto eu fazia.Também foi meu primeiro contato com tecido e esse tipo de coisa, daí demorei para me adaptar e acabei esquecendo de tirar fotos sozinha. Mas acho que deu para entender pela explicação!

E claro, vocês podem usar o caderno/agenda para qualquer outra coisa, desde anotar quotes como afazeres e compromissos diários! Espero que tenham gostado do post (Aliás, espero que gostem de DIY's... vocês gostam?)

Encanta pela capa, mas conquista pela sinopse? + resultado Ressaca Literária

Olá, peeps! Hoje trago para vocês uma espécie do já conhecido, Julgue um livro pela capa. Vou apresentar quatro capas que eu considero bonita – essa primeira vez será de capas fofinhas/românticas – e abaixo o link para o Skoob ou Goodreads, onde vocês poderão ler a sinopse e verificar se a capa que mais o encantou tem uma sinopse que conquiste! É uma coluna que funciona como uma forma divertida de apresentar alguns livros para vocês. Nem sempre serão novidades, já que um livro bem conhecido pode ter uma capa que me encantou e condizente com o tema da semana, daí posso colocar.


A capa que me encantou e a sinopse me conquistou do mês é um livro que ainda não foi lançado, mas será, pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras e me deixou com água na boca! Achei a temática tão diferente, que se for bem trabalhada, creio que fará bastante sucesso. Li a sinopse no Cultivando a leitura e não pude deixar de compartilhar com vocês.

No século 24, a população é dividida em castas, e todas as garotas sonham com a Selection: uma chance de viverem no palácio e competirem pelo amor do príncipe Maxon. America Singer pretende se casar com Aspen, seu namorado secreto de uma casta inferior. Quando ela é uma das 35 garotas sorteadas para a Selection, pretende deixar bem claro para o príncipe que não tem o menor interesse em ser rainha de um país onde tantos passam fome, e que está sob constante ataque de rebeldes. Mas para sua surpresa, ela e o príncipe aos poucos se tornam próximos, e ela se vê forçada a escolher entre uma vida que achou que havia deixado para trás e um futuro que nunca havia imaginado. 1º volume de uma trilogia que está cotada para virar uma série.

Eu leria The Selection com certeza! A capa é belíssima e a história parece ser muito bacana também. E vocês, leriam algum desses que eu apresentei? Desculpem pelas capas não tão organizadas por temáticas, se vocês gostarem, prometo que vou ser mais restritiva num tema. Espero que tenham gostado! 

Saiu o resultado da promoção Ressaca Literária de carnaval! Confira se você não foi sorteado clicando aqui! Muito obrigada a quem participou. :)

Promoção: Me, Lola and the Boy Next Door

Mais uma promoção única - de livro em inglês aqui no Mulher gosta de falar! Faz tempo que planejo essa promoção e para comemorar os 600 seguidores do blog, resolvi colocá-la no ar. É minha maneira humilde de retribuir o carinho que vocês passam pelos comentários! Então, espero que gostem! :)

Gostou de Anna e o beijo francês? Que tal ganhar um HARDCOVER do novo livro da Stephanie Perkins, Lola and the Boy next door? Se seguir as regras abaixo e realizar as chances extras, vocês têm uma grande chance de ganhar! 

Nessa "companion novel" de Anna e o beijo francês, dois adolescentes descobrem que o verdadeiro amor pode estar mais perto do que eles pensam. Para a figurinista Lola Nola, quanto mais escandalosa a roupa, mais brilhante, mais divertida e selvagem, melhor! Mas, apesar do estilo de Lola ser escandaloso, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo parece estar perfeito (inclusive seu namorado quente e roqueiro) até os gêmeos Bell voltarem para casa. Quando a familia retorna e Cricket - um engenheiro e inventor talentoso - para de ser a sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela deve, finalmente, conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da casa ao lado.  

Regras para participar da promoção:  

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• Deixar um comentario nesta postagem para validar sua participação.
• Ter um endereço de entrega no Brasil
• Preencher o formulário corretamente até dia 14 de abril de 2012.


Mas é claro que você ganha chances extras

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Só a @mgostadefalar me dá a chance de ganhar um hardcover do livro Lola and the Box next door, da Stephanie Perkins! http://migre.me/8hK61
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• O sorteio será feito no dia 15 de abril de 2012 e o sorteado terá 48 horas para responder o email. Se não houve resposta, o sorteio será refeito.
• Tenho até 30 dias após o sorteio para enviar o prêmio ao vencedor.
• O descumprimento de qualquer uma das regras fará o sorteado ser desconsiderado.

Quotes #2


Gosto muito do estilo de escrita da Fernanda Young. É como se ela usasse seus livros para fazer suas confissões mais intimas e denuncias que não são bem recebidas, usando a voz do protagonista. Não são livros autobiográficos – ao menos os dois que li -, mas sinto que seus narradores são seus próprios pensamentos. Como quando falamos sozinhos, mas internamente, discutimos horas com nossos ideais e sabemos que algumas coisas não são fáceis de serem ditas e aceitas. 

Não sei se vou fazer resenha desse livro, pois fiquei um pouco decepcionada com algumas partes. O livro é, na verdade, uma carta muito longa – que ela chama de livro - de uma filha que se sentia indesejada desde a infância, a seu pai moribundo. A filha, que não se apresenta, pretende contar para o seu pai tudo o que ela sentiu, fez ou teve vontade de fazer devido à criação relapsa. Na carta-bomba, ela relata todas as minúcias que marcaram sua existência e claro, o dia em que tentou matar sua mãe. Ou seja: ela disseca da maneira mais ácida, a relação de pais e filhos.

Algumas pessoas não gostam de palavrões nos livros e eu acho isso até compreensível, mas não me importo de verdade. Em determinadas situações, desde que não sejam com mais frequência do que necessário, acho que aproxima o leitor. Porque usar um “filho da puta” aqui e ali, é tão comum, gente! Mesmo que moralistas tentem dizer que não, que é feio. E a Fernanda Young não tem papas na língua, mas escreve muito bem. É como uma Marta Medeiros desbocada.

O motivo do meu desapontamento é que o livro tinha um grande potencial. Tudo que você não soube é bom, principalmente no inicio, mas a coisa vai desandando depois do meio. Talvez fosse a intenção da Young; a filha não ter mais certeza do que escrever, as coisas terminarem de forma rasa. O problema é que isso acontece de modo que eu chego até a questionar a qualidade do começo.

Tudo que você não soube
Fernanda Young

"Some-se isso a completa incapacidade, por parte de um estrangeiro, de avaliar os efeitos colaterais do Brasil sobre os proprios brasileiros. Essa nossa exposição diária ao horror, como se fosse normal, e essa total ausência de responsabilidade social que nos cerca. Aqui, aprende-se cedo que ser é ter, sem se saber aprender como se fazer para ter; então não importa se for trabalhando ou roubando, dá tudo no mesmo. Ir na direção do possuir é o que fará você ser aceito, sendo meia dúzia de crimes no decorrer do caminho algo perfeitamente aceitável." 

"Mas outra coisa que aprendi nessa vida é que substituições não existem. Nunca dão certo, quer dizer. Então é melhor nem tentar. Sabedoria que só se atinge quando sofre longamente por um amor. Qual é o primeiro pensamento do sofrido amoroso? É: vou arranjar outro amor, o mais rápido possível. Não funciona, pai. Tem o rito de passagem. Tem o luto necessário. Tem todo o aprendizado com a perda."

"Eu não sou uma babaca. Um babaca é um sonso. Um babaca é traiçoeiro. Um babaca se sobressai pela caretice. Nem digo caretice do setor sexo, drogas e rock’n’roll – careta porque tem preconceito daquilo que não entende. Para perdeu meu amor, um filho teria que ser babaca assim, caretão sete cruzes. Daqueles que trapaceiam, vilipendiam e transformam suas invejas, naturais, em sentimentos inumanos. Precisaria ser um politico desses nossos, que roubam dos hospitais públicos, que patrocinam a miséria com descaramento e deboche. Mas aí não seria apenas um babaca, seria um filho da puta." 

Mas não há como evitar: ser menina é um problema. Mais um. Principalmente, para as meninas que nascem aqui no Brasil, um país onde a mulher, além da obrigação de ser bonita, tem a obrigação de ser a dona da alegria. Aqui, mulher tem que fazer comida e fazer charme. Tem que ter coragem e bunda. Tem que saber sambar e saber o seu lugar. Uma barbárie. Aposto que você nunca tinha pensando nisso, tinha? Nenhum homem pensa. Eu penso. Sobre como nos querem festivas e subjugadas. Efusivas e caladas. Dadas e reservadas. O Brasil é macho, muito macho.”
A intenção inicial ao começar a escrever o post, era selecionar citações para preencher a coluna de Quotes, mas quando vi já tinha escrito praticamente uma resenha, haha. Daí juntei os dois e ficou um Quotes, com uma pequena introdução, já que acho que não será necessário resenha depois disso. Se interessaram? Ou curtiram os quotes, pelo menos?