Título: Pacto Secreto
Autor(a): Eliane Quintella
Editora: Novos Talentos
Páginas: 357
A sinopse do Pacto Secreto me instigou instantaneamente. Eu sempre tive um fraco por estórias que testem nossos princípios, o amor pela família. Sempre gostei de livros que me fizessem questionar as minhas atitudes, se estivesse no lugar da protagonista. Pacto Secreto, de fato, tem uma estória original e instigante, mas os diálogos e a narrativa detalhista me fizeram abandonar o livro, algumas vezes.
Valentina é uma mulher jovem, bonita, rica e que adora se testar. Sua paixão por equitação a fazia escolher os cavalos mais ariscos e difíceis de serem domados; ela adorava um desafio. Sua irmã gêmea Sara, por outro lado, representava o lado doce, seguro e estável da irmandade.
Quando o acidente que assola a família e torna Sara tetraplégica acontece, Valentina não consegue evitar se sentir culpada. A estrutura familiar dos Soares muda drasticamente. Sara enclausura-se em seu quarto, como era de se esperar; a mãe sofre pela dor da filha e Valentina afunda em culpa.
Desesperada, Valentina recorre à única “pessoa” a qual não pediu ajuda: ao Diabo. O Enviado é o estereótipo do pecado. Bonito, sedutor, incrivelmente charmoso. Ele propõe tirar o fardo que Valentina carrega, em troca de sua assinatura no Pacto. Aí começa a reflexão e a pesquisa da protagonista, duvidosa quanto sua decisão. Seria o preço pedido, alto demais?
A escrita não foi ágil, em minha opinião, durante quase todo o livro. As ultimas cem páginas foram minhas preferidas, pois foram mais objetivas e melhor trabalhadas. Os diálogos forçados e os vocativos repetitivos (minha adorada filha/ minha filha querida/ minha filhinha, tudo em uma conversa) foram alguns dos motivos que me fizeram parar a leitura por umas semanas. Às vezes os autores exercem de diálogos para incrementarem a relação dos personagens, mesmo que eles não sejam essenciais à trama principal. Entretanto, os diálogos de Pacto Secreto, às vezes, eram enfadonhos e irrelevantes.
Infelizmente, os encantamentos do Enviado nem chegaram a me convencer. Ele tinha tudo para ser um personagem charmoso e com quem simpatizaria, mas isso não aconteceu. As descrições de Valentina a fizeram parecer fútil e vaidosa demais, em alguns momentos. Outros personagens como a mãe e o pai de Valentina me conquistaram pelo imenso amor que tinham pelas filhas.
Li inúmeras resenhas positivas e eu fiquei esperando para algo de extraordinário acontecer. Vejam, eu realmente queria gostar do livro. Queria mesmo! Como desde as primeiras páginas os parágrafos pareciam se repetir, passei a esperar, pelo menos, algo de bom, acontecer na narrativa. (Aconteceu, claro, mas um tanto tarde). Não que a estória fosse ruim - ela é muito boa, na verdade -, mas a escrita, confesso, deixou a desejar.
Eliane Quintella, por outro lado, construiu uma estória belíssima sobre o amor entre irmãos - a determinação de Valentina em ajudar Sara, era admirável - e os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos. Ela me fez refletir sobre alguns atos de Deus; aqueles que na realidade não verdadeiramente entendemos.
Classificação
Nota 2 de 5 (Regular)