A vida em tons de cinza - Ruta Sepetys

Título: A vida em tons de cinza
Autor(a): Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Páginas: 238
Classificação: 5. (Ótimo)
1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias. 
Em 1939, a União Soviética tomou os países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia. Em 14 de junho de 1941, civis inocentes presentes na lista de pessoas consideradas antissoviéticas foram assassinados, presos ou deportados para campos na Sibéria. Sob o domínio de Stalin, os horrores sofridos pelos milhões de pessoas são inimagináveis.

A família Vilkas está na lista e são obrigados a saírem de suas casas, cidade e até do país que conhecem. Lina, a jovem lituana de 15 anos apaixonada pela arte; seu irmão, Jonas, de 10 anos e a brava e carinhosa mãe são jogados em vagões fétidos de trem, com mais pessoas que seria possível acomodar, durante semanas. A única vez que as portas dos vagões se abrem é para jogar o balde de mingau/ração e água.
Andrius espiou pelo outro lado e acenou para que seguíssemos. Engatinhei para sair de baixo do vagão. Havia palavras em russo escrito na traseira.
- “Ladrões e prostitutas” – sussurrou Andrius – É isso que está escrito.
Ladrões e prostitutas. Nossas mães estavam nesse vagão, assim como uma professora, uma bibliotecária, idosos e uma recém-nascida – ladrões e prostitutas.
Durante as 6 semanas que passam dentro do trem, Lina e sua família são obrigados a viver em condições desumanas, dispondo de um buraco num canto usado como latrina, tábuas de madeira como cama e a mesma roupa na qual estavam vestidas a mais de 30 dias atrás. 

Levados para aldeias onde trabalharão um dia inteiro por 300 gramas de pão, os lituanos acham uma maneira de persistir. O amor pela pátria, a saudade dos que ficaram ou já foram, a esperança por dias melhores são laços que unem as pessoas durante meses horrendos. 

O frio da Sibéria – lugar a qual foram levados - e o pouco que dispunham para se proteger e não congelar é algo que dá nojo. Enquanto pessoas morrem devido as condições inóspitas, oficiais estão agasalhados dentro de prédios com lareiras, tomando seu conhaque.
A NKVD nos mandou retirar madeira do mar de Laptev. Tínhamos que cortar a madeira para secá-la e fazer lenha. Não podíamos usar nada. Ficávamos sentados em nossa jurta encarando o braseiro apagado. Eu via pratos cheios de comida serem retirados da mesa de jantar de nossa casa e o resto sendo jogado no lixo. Ouvia a voz de Jonas dizendo “Mas mamãe, não estou com fome” quando ela o mandava comer tudo. Não estou com fome. Quando foi a ultima vez que estivemos sem fome?
Os personagens são imensamente bem desenvolvidos, reais. Lina é corajosa, esperta e usa sua arte como válvula de escape. O mundo não sabe sob quais condições ele estão sendo submetidos e é tarefa dela, seu bloco e algumas canetas relatar e denunciar. A mãe de Lina é uma fonte de amor irrefutável, tanto pelos filhos, outros lituanos, quando pelos inimigos. Jonas, o garoto jovem e frágil torna-se o homem da família. O romance do livro fica para Lina e Andrius, um jovem bonitinho e protetor com o qual ela mantem uma amizade e carinho. O amor pelo jovem mantem a esperança, também.

Ao terminar de ler o livro, pensei em dar nota 4, mas depois de pensar um pouco, percebi que o 4 era reflexo da tristeza que o livro passava. Era tão frustrante que eu tinha retirado uma estrela. Como se estivesse tirando uma estrela pelas atrocidades cometida por Stalin. Por mais tocante, triste que seja A vida em tons de cinza, é inegável dizer o quão bem escrito ele é.

Este livro foi cedido em cortesia pela Editora Arqueiro. Obrigada por ter dado a oportunidade de ler uma obra tão bonita.

29 comentários:

Carolina Mello disse... [Responder comentário]

Essa estória parece ser tão bonita...me lembra a menina que roubava livros.
Achei interessante porque sempre vemos histórias envolvendo o Nazismo alemão, mas eu pelo menos nunca tinha visto nada sobre outros governos autoritários, que eram tão cruéis quanto o governo de Hitler.
Aceito ganhá-lo no natal, ou na aula da saudade (como prova do seu amor por mim durante todos esses anos), beleza?

Bruno Medeiros disse... [Responder comentário]

Eu sou fã de livros tristes e arrasadores, mas como está chegando o verão eu quero paz e quero amor, sajsioajoisa.
Tomara que a galera record não demore para lançar the future of us! Falar em layout eu troquei hoje o do blog :D aeae. Ah, e saiu a resenha de crash into me ;)

Natalia Dantas disse... [Responder comentário]

Oi.

Muito lindo, né?
Ainda não tive a oportunidade de lê - lo mais espero que seja rápido \õ.

Beijos :*
Natalia.
http://musicaselivros.blogspot.com/

PamFardin disse... [Responder comentário]

Livros me tocam tanto, fico me imaginando na realidade deles, é sempre assim... Parece que fico triste por eles :P Vai um que quero ler *--*

Beijos
aritmeticadasletras.blogspot.com

Mari ♥ disse... [Responder comentário]

Só pelo Titulo e pela capa o livro já me chamou atenção lendo a resenha me apixonei pelo livro

Ah que legal hein , eu ganhei o marcador desse livro não vejo a hora de lê-lo

Oi estava visitando alguns blogs e encontrei o seu blog adorei...
Já estou seguindo

http://marifriend.blogspot.com/
@Storieandadvic
Espero sua visitinha, adoraria que você seguisse também.
Beijo

Ana Ferreira disse... [Responder comentário]

Lu,

Também gostei muito do livro, do próprio sentimento de compreensão e revolta, em alguns momentos, que ele provoca.

Esse final da sua resenha foi simbólico. A tristeza, a desgraça nos deixa inconformados e pensamos em desconsiderá-lo pela dor que causa, mas é uma história muito pura, muito sincera e cativa, de alguma forma.

O sentimento entre Lina e a família, Lina e Andrius e entre todos os refugiados nos mostra como as coisas passam a ser desimportantes diante de situações tão tristes, de como os nossos sentimentos superam qualquer bem material... De como a nossa vida é delicada, de valor incalculável...

Beijinhos,
Ana - Na Parede do Quarto

caah disse... [Responder comentário]

Oi, tudo bem?

Sabe, nunca me interessei por esse livro, o título não me chamava atenção e a capa também não. A editora me enviou marcadores dele, mas o livro não porque não solicitei. Mas, agora, com sua resenha, eu me arrependi, ele parece realmente interessante e tocante. Vou ver se consigo ler!

Beijos, Caah

Open Mind - http://openmindbook.blogspot.com/

Carol disse... [Responder comentário]

Já ouvi falar desse livro mas não tive muito vontade de le-lo porque nao faz muito o tipo de livro favorito.
hahaha
mas acho que vou cogitar lê-lo.

Beeeijos
Little piece of me.

Emmy disse... [Responder comentário]

Eu morro de vontade de ler esse livro, não sei porque, mas adoro livros nesse estilo!
Sua resenha me deixou ainda mais curiosa *-*
Bjs, Emmy
Literary World

Jovens Leitoras disse... [Responder comentário]

Sua resenha me deu a impressão de que eu ia chorar se ler, sei lá porque. Ou pelo menos, que esse livro mexe muito com nós.
Fiquei curiosa!

Beijos, Bárbara.

Leitura entre amigas disse... [Responder comentário]

Um livro bem dramático e triste, mas pela sua resenha Luana deu pra sentir que é uma obra que realmente deve ser lida.
Beijos

Elidiane - Leitura entre amigas

Aym disse... [Responder comentário]

Esse livro chama muito atenção *-* gosto muito da capa e da sinopse... espero não me decepcionar. mas os livros da arqueiro em geral são ótimos *-*
beijos
boa semana e ótimo feriado.

Samira Machado disse... [Responder comentário]

Esse livro parece muito legal, tem um tempo que eu vejo ele nas livrarias mas nunca tinha visto nenhuma resenha sobre ele. Agora a vontade de ler só aumentou :)
Adorei o seu blog, seguindo :)
http://thebookofmydreams.blogspot.com/

Aione Simões disse... [Responder comentário]

Oi Lu!
O livro deve ser muito bom mesmo, mas eu tenho receio de ler pela tristeza. Acho que eu o leria e ficaria deprimida, então acabo não tendo vontade de lê-lo!
Um dia, quando eu tiver mais coragem, arrisco! Deve valer a pena!
Beijos!

@amaliaprade disse... [Responder comentário]

Parece muito bonito esse livro, fiquei com vontade! Quem sabe quando minha lista tiver diminuído um pouco eu leio também!

Sofia disse... [Responder comentário]

Oi Lu, tudo bem? Essa capa é linda, e impressionante que me lembra a de Radiante, da Intrínseca. Bem, vejamos... O assunto abordado é maravilhoso e tenho certeza que gostaria, por mais triste que seja. Sabe, essa questão de antiguidade, junto com a narrativa de uma garota de 15 anos (eu acho, é? hehe) enfim, creio que seja isso. Sua resenha despertou profundo interesse em mim, e creio que tenha sido a primeira que vejo, e que como pode ver, me deixou curiosa e tentada a ler.

Um super beijo...

Sofia

Lendo de Tudo

Sofia disse... [Responder comentário]

Oi Lu, tudo bem? Essa capa é linda, e impressionante que m lembra a de Radiante, da Intrínseca. Bem, vejamos... O assunto abordado é maravilhoso e tenho certeza que gostaria, por mais triste que seja. Sabe, essa questão de antiguidade, junto com a narrativa de uma garota de 15 anos (eu acho, é? hehe) enfim, creio que seja isso. Sua resenha despertou profundo interesse em mim, e creio que tenha sido a primeira, e que como pode ver, me deixou curiosa e tentada a ler.

Um super beijo...

Sofia

Lendo de Tudo

Gabriela Wegner disse... [Responder comentário]

Oi!
Achei essa capa interessante!
O livro deve ser bem triste.
Tenho vontade de lê-lo!
Gostei muito da sua resenha!
A editora Arqueiro sempre ABALANDO com os lançamentos. hahha
Beijos

Danniele disse... [Responder comentário]

Lua,
Faz um bom tempo que quero ler esse livro, a história me parece ser forte e tocante (sua resenha me confirmou isso). Mas ultimamente tenho lido livros muito sérios e que me deixaram meio pra baixo, quero ler algo mais YA pra animar rsrs
Amei a resenha, viu? Como sempre ♥

Beijos :*

Milena disse... [Responder comentário]

Oi Lu :)
Quero muito ler esse livro, mas tenho muito para ler e entõa nem pedi para a editora...
Adorei a resenha *-*

Beijos,
Milena - Divert Letras

ka macedo disse... [Responder comentário]

Esse livro parece ser tãoo maravilhoso. Morro de vontade de ler. Em primeiro lugar por que amo história. Depois, por que amo drama. E, por fim, por que tudo nele me atrai e todos só falam bem.
Sua resenha revelou algumas coisas que eu não sabia, mas que fiquei feliz em descobrir.
Linda, linda resenha Luana! Dá para imaginar como esse livro é triste. Mas tenho certeza que não me arrependerei de lê-lo :)

Beijoos

Bianca Sampaio disse... [Responder comentário]

Oi Luana,
Gosto de livros que tratem desses assuntos e faz tempo que não leio nada do tipo. Gostei bastante da resenha!

Beijos!
Bianca - www.epilogosefinais.co.cc

Angela Graziela disse... [Responder comentário]

Esse livro me parece ser muito bom
Mas ainda não tive oportunidade de me encontrar com ele "/

Participe!
http://migre.me/695u1

Beijos
http://pocketlibro.blogspot.com

Eduarda Menezes disse... [Responder comentário]

Oi Luana,
Gostei muito da sua resenha, de certa forma me passou exatamente o que imagino que irei encontrar e sentir ao ler esse livro.
Fico triste com histórias passadas na época da guerra e confesso que é justamente esse o motivo pelo qual não leio muitas, pois sempre me deixam amuada por um bom tempo.
Porém, penso que esses fatos que aconteceram num passado de certa forma tão próximo, não podem e não devem nunca ser esquecidos, pois não podemos fechar os olhos para tamanha atrocidade e barbaridade cometida pelos seres humanos para com os seus semelhantes.

Apesar de não realizar tanto esse tipo de leitura - pela razão que citei acima - sempre que os leio vão para a lista dos preferidos, pois conseguem nos tocar de tal forma que não os esquecemos nunca mais. E esse parece ser justamente esse tipo de livro, tocante e inesquecível!

Beijos!!

Nathália Risso disse... [Responder comentário]

Oi Lu :)
Estou com esse livro aqui para ler e mal posso esperar para começar!
O livro parece ser maravilhoso, só leio resenhas falando super bem e dizendo o quão bem escrito e desenvolvido ele é!
Sua resenha ficou ótima, parabéns!
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Tem post novo no blog, passa lá :)
Beijos,
Nathi
@bookswonderland
Books in Wonderland - www.booksinwonderland.com

Francielle Couto disse... [Responder comentário]

É tão maravilhoso ver você falar sobre esse livro, Lu. *-* Lembro que tu comentou comigo que estava interessada pela leitura, e fico feliz por conseguir realiza-la. Mas o que me deixa mais feliz ainda foi ver que você repensou na nota e pode refletir acerca dessa obra que, nossa, chega a ser sem palavras. Como eu disse em minha resenha, A Vida em Tons de Cinza é visceral, triste e emocionante. É uma verdadeira história de amor e esperança, dotada de primorosos exemplos de caráter e de uma compaixão incomum, de cunho inspirador. Emociona sim, e mais ainda por saber que, infelizmente, todas essas coisas de fato aconteceram, comovendo ainda mais os corações dos leitores que depositam seu tempo para viver com Lina um pouco de tudo que ela passou.

Sem dúvidas, um dos melhores livros que li este ano. Digno de grandes leitores...
Ótima resenha!

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com/

Marina Oliveira disse... [Responder comentário]

A história realmente parece linda, mas não gosto muito dessas temáticas tão tristes. Sei lá, eu fico muito deprimida :X Não é lá dos estilos que eu mais goste de ler. Mas quem sabe um dia, se eu tiver oportunidade.
Beeeijos

Marina Oliveira
http://distribuindosonhos.blogspot.com

Karine Marinho disse... [Responder comentário]

Todas as resenhas que eu leio sobre esse livro são ótimas *---* Quero poder lê-lo em breve! :D
Beijos,K
Girl Spoiiled

Thaís Varine disse... [Responder comentário]

Eu infelizmente não estou muito para temas assim no momento. Mas quem sabe um dia, pois parece ser bom sem tirar que só ouço críticas boas ;D

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