Delírio - Lauren Oliver

Título: Delírio
Título original: Delirium
Autor(a): Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Numero de páginas: 342
Cedido de parceria pela Intrínseca

A narrativa de Lauren Oliver não foi exatamente um ponto forte em Antes que eu vá, seu livro de estreia; talvez pelo fato de que os dias se repetiam durante todo o livro e isso deu a impressão de lentidão à leitura. A história em si foi bem construída e agradável, mas não notei nenhuma relação com Delírio. Aliás, a Oliver evoluiu tanto sua escrita que eu quase me esqueci que já a conhecia.   

Delírio nos conta a historia de uma sociedade distópica onde o amor, antes considerado o sentimento mais sublime, é considerado uma doença. Graças ao presidente e o Consórcio, porém, têm cura. Quando completam 18 anos todas as pessoas precisam passar pela intervenção, procedimento cirúrgico que cura qualquer indício de amor delira nervosa. (Digo “precisam” para não dizer são obrigadas – e elas são -, o que passa a ideia de que há muitas objeções; há claro, mas a maior parte da população está ansiosa para que seu dia de intervenção chegue e eles possam viver num mundo sem dor, sem surpresas emocionais, só na paz e letargia oferecidas.)

Nossa protagonista é Lena, uma garota com nada de extraordinário que anseia pelo dia em que o Governo irá escolher seu par pelo qual ela não nutrirá nenhum sentimento só para não passar pela amedrontadora ideia de que alguém, no mundo, realmente iria escolhê-la para se tornar sua esposa. Ela está convicta que com a historia de que amor delira nervosa em seu sangue – sua mãe teve - possa fazer qualquer pessoa se esquivar dela, como se a doença ainda fluísse em suas veias e eles pudessem contraí-la só falando com ela. Então, noventa dias antes de sua intervenção, acontece o impensado: Lena se apaixona. 

Os personagens foram muito bem construídos e a maneira como evoluíram foi maravilhosa; Lena era uma garota obediente, cega e grata aos cientistas e governo e, no minuto em que acha que contrai a doença, começa a quebrar regras; sair depois do toque de recolher para encontrar Alex, gargalhar até sentir dor, tocar um membro do sexo oposto, por exemplo. Hana, melhor amiga de Lena, é uma personagem muito cativante, corajosa e leal. Tinham uma cumplicidade, um carinho mútuo de invejar. Mas Alex é meu personagem favorito, sem duvidas. Ele lia vorazmente e escutava músicas, mesmo sendo proibido e gostava de poesia não do jeito afeminado, mas do jeito bonitinho e másculo e não tinha medo de sentir; ele transpirava esperança. 

O ritmo nas primeiras 50 e poucas páginas é um pouco lento, introdutório, mas necessário. Precisamos de uma introdução, uma explicação, precisamos visualizar e nos convencer sobre o mundo sem amor já que parece absurdo à primeira vista. Oliver nos conduz de modo que acreditamos verdadeiramente no mundo que nos foi criado, consegue nos deixar absortos com as informações e a originalidade sobre o tema começa a conquistar. A maneira como ela escreve é quase poético; a forma como descreve sentimentos humanos usando cores, sensações e descrevendo lugares e reações que eu quase pude ver – porque eu definitivamente senti -. 

Delírio me tocou de várias maneiras, me abriu os olhos e me manteve pensando em sua história por dias a fio, impressionada e aterrorizada com a possibilidade de existir um mundo assim. Uma sociedade sem amor. Uma sociedade sem amor não só ao sexo oposto, mas onde mães e filhos não tem nenhuma ligação especial, onde mesmo um abraço entre pessoas não curadas pode ser considerado uma afronta e acarretar em punição. Uma sociedade sem livros, sem música, sem sonhos. Os curados não sonhavam nos dois sentidos da palavra: nem durante a noite e tampouco tinham ambições. 

Acho que esse é um dos poucos livros que já li que possa dizer, indubitavelmente, que é uma historia de amor e liberdade. Não digo amor entre Lena e Alex, o livro não é focado no casal (apesar de ter sido doce na medida certa e tenha me agradado muito!), mas amor no sentido mais amplo. Porque é o amor que sentimos por nossas mães, irmãos, amigos, namorados, animais de estimação, livros, uma música e uma determinada cor, por exemplo, que nos torna livres, que nos dá vontade de continuar. O amor destrói sim, mas cria com trinta vezes mais afinco. 

”- Sabe que não é possível ser feliz a não ser que às vezes se sinta infeliz, certo?” 

Classificação:
5 de 5 (Ótimo)

DIY: Marcador de página de bichinho

O DIY de hoje é meio bobo, meio infantil, mas super bonitinho, fácil e divertido de fazer. Encontrei esse tutorial quando estava procurando um post ensinando a fazer aqueles marcadores de origami que acho bem interessante; acabou que eu nem continuei a busca depois de achar esses marcadores de página de monstrinhos, nesse post aqui! Os créditos são todos da Tally, dona desse blog; eu simplesmente traduzi (e dei uns poucos meus toques) e achei legal compartilhar com vocês! 

Você vai precisar de:
Papel cartão, de scrapbook ou cartolina
Tesoura, régua e lápis
O resto fica por conta da sua imaginação: canetinha, giz de cera, adesivo ou qualquer outra coisa para enfeitar o seu bichinho. 

PS: Existiam três métodos na maneira como a Tally explicou e eu fiz duas delas. Uma é extremamente simples, leva uns 5 minutos e é um pouquinho sem graça e a outra leva mais tempo porque tem mais etapas, mas você tem que prestar atenção nas medidas, na hora de cortar, pra não ficar meio folgadinho nas páginas, como um dos meus ficou.

Maneira 1.:

Pegue um envelope, corte um dos cantos e decore seu bichinho como queira. (Eu fiz um desse e ficou um pouco leve demais, pois o papel do envelope é mais fácil de amassar. A vantagem é que os lados são perfeitos, diferente da maneira como eu contornei no papel cartão e cortei)

Maneira 2.:

1. Numa folha de papel cartão, faça um quadrado perfeito usando sua régua. As medidas são 6,5cm x 6x5cm. Você pode fazer um pouquinho maior, mas não faça grande demais. Desenha com a régua um quadrado do exato tamanho do anterior, fazendo eles ficarem lado a lado e um outro quadrado do mesmo tamanho em cima do primeiro quadrado, como na figura acima. 2. Desenhe uma linha diagonal do canto superior direito ao canto inferior esquerdo, no quadrado de cima. Rabisque a parte esquerda superior (agora um triangulo) pois não vamos usar aquela parte. Faça o mesmo com o outro lado, desenhando uma linha diagonal do canto superior esquerdo ao canto inferior direito e rabisque a parte direita inferior.


3. Recorte a parte rabiscada (que eu pintei de verde, pra destacar) e ficará um quadrado com dois triângulos grudados a ele, um no topo esquerdo e um no topo direito. Esse é seu molde! 4. contorne o molde no papel cartão e corte o modelo que ficou. Agora trace uma linha ao longo das bordas do quadrado que se ligam aos dois triângulos, usando a régua. 


 5. Dobre a parte traçada para dentro, como indica a figura e  6. passe cola na aba esquerda (que ainda está em pé) e cole em cima da que está dobrada para baixo. Depois disso, você já tem o marcador simples! Agora é só decorar como e com o que quiser! A intenção era fazer só de monstrinhos, mas como eu tinha esse papel rosa, me veio logo a imagem de um porquinho, haha. 

Sei que é meio infantil, mas fazer o quê, eu gosto dessas frescurinhas, hahaha. Espero que tenham gostado, bonitinhos. E desculpem a péssima qualidade das fotos.

A rainha da fofoca - Meg Cabot

Título: A rainha da fofoca
Título original: Queen of babble
Autor(a): Meg Cabot
Editora: Galera Record
Numero de páginas: 430


Nunca fui essa fã fervorosa da Meg Cabot, daquelas que a chamam de Diva e consideram tudo que ela escreve uma dádiva divina. Primeiro, porque eu realmente gostava dela, mas nunca consegui ver nada extraordinário em sua narrativa; e segundo, porque eu achava tudo meio bobo. Vaiver eu fiquei com impressão erradoa com Diário da princesa (nunca me agradou livros escritos em forma de diário, acho um nhenhenhém que merece ficar guardado nas paginas de um caderno só pra quem o escreveu, ler) e toda aquele “eu fiz isso, eu fui lá, eu sofri aquilo”. 

Apreciei O garoto da casa ao lado no auge dos meus 13 anos, mas depois disso, fui perdendo o interesse. Alguns anos depois eu decidi arriscar com a Cabot de novo, mas talvez por implicância besta, deixei o livro criar poeira e ficar esquecido na estante. Devia ter 15 ou 16 quando li A rainha da fofoca, mas lembro que me perguntei porque deixei aquele livro tão sozinho, quando tudo que ele precisava era ser lido sobre uma ótica diferente. Os livros da Meg são livros leves, livros bonitinhos, livros pra divertir. E qual personagem de chick-lit não é atrapalhada, exagerada, insegura? Não eram falhas da autora, como eu achei, foram escritos para serem assim: personagens com vertentes imperfeitas, como as nossas!

Agora que já sabem a temática do livro, o estilo leve e sem reflexões ou morais da escritora, deixem eu convencê-los que A rainha da fofoca é uma ótima pedida pra um dia ocioso. 

Lizzie Nichols é o exemplo perfeito do nome do blog; ela gosta de falar. Ela não só gosta de falar, como ela é daquelas que sempre se mete em confusão por falar demais. Mas agora as coisas vão dar certo, pois ela está indo pra Londres para visitar seu namorado inglês. O único problema é que ela tem uma monografia para fazer, um prazo pequeno e, ah, não se lembra de como o namorado é. 

Os personagens secundários contribuem para a diversão, na hora da leitura, colocando Lizzie em situações hilárias. A melhor amiga de Lizzie, Shari e seu namorado Chaz, está em Paris há algumas horas de trem de distancia e é em uma dessas viagens que ela conhece um certo francês gracinha (porque caras de outros países são sempre mais charmosos? So unfair.) que me fez gostar ainda mais da história! Os personagens seguem a linha do previsível, mas divertido, de Meg Cabot. Não é um livro que surpreende e sim um que você provavelmente sabe o que vai acontecer, com quem a protagonista vai ficar, mas é uma leitura agradabilíssima, da mesma maneira. 

No final da cada capitulo há um pequeno paragrafo da monografia de Lizzie e no inicio de cada, uma pequena citação. A narrativa é veloz, fluida e cheia de diálogos. Aliás, mesmo quando são os pensamentos de Lizzie que estão sendo relatados, parecem diálogos; parece que ela está nos contando sua história, aproximando o leitor e criando um vinculo. É extremamente divertido estar na cabeça de Lizzie e ver seus pensamentos; é como se ela não tivesse papas na língua nem no pensamento, sempre diz o que pensa e sempre tem um comentário instantaneamente. Claro que em várias passagens ela é tão atrapalhada e ingênua que chega a irritar e alguns personagens são tão babacas que dá vontade de socar, mas isso já é comum em livros com essa temática.

Apesar de ser uma trilogia, se você estiver com o orçamento curto e não poder comprar os três livros em curto período de tempo, não tem problema! Faz anos que li e não sinto falta, porque o final (que final caliente foi aquele? Oh, sweet lord...) não deixa nenhuma grande surpresa ou lacuna. Aliás, acho que se tivesse terminado ali, no primeiro volume, eu não teria sentido falta e só comprarei os outros quando estiver precisando de uma boa  dose de diversão.

A rainha da fofoca é o típico chick-lit teen, leve e despretensioso sem grandes ensinamentos, que tem compromisso exclusivo com a diversão do leitor e cumpre esse papel com maestria. 

Classificação: 
4 de 5. (Muito bom)

Encanta pela capa, mas conquista pela sinopse? #2

Trago para vocês, mais uma vez, uma espécie do já conhecido, Julgue um livro pela capa. Vou apresentar quatro capas que eu considero bonita e abaixo o link para o Skoob ou Goodreads, onde vocês poderão ler a sinopse e verificar se a capa que mais o encantou tem uma sinopse que conquiste! É uma coluna que funciona como uma forma divertida de apresentar alguns livros para vocês. Nem sempre serão novidades, já que um livro bem conhecido pode ter uma capa que me encantou e condizente com o tema da semana, daí posso colocar.

Vestidos mais bonitos

Foi meio difícil escolher essas capas! Os livros com capas de vestidos são tão encantadores, tão elegantes e invejáveis. Uma pena não poder usar esses vestidos com mais frequência, porque só o reflexo no espelho já consegue transportar pra outra época! Luxo tem uma das capas mais bonitas que tenho na estante, pena a história não ser tão boa assim... A capa que me conquistou é Betrayl primeiro volume da série The Descendants. (Tradução livre, peeps)

Onde há amor e poder, sempre há… traição. Aos dezessete anos, Cordelia é uma adolescente comum com um segredo extraordinário e assustador. Um segredo que induz sonhos vívidos onde ela não só experimenta o amor verdadeiro, mas o medo paralisante enquanto mal escapa com vida cada noite. Após um evento que altera sua vida, Cordelia tem um encontro inesperado com Evan, o menino misterioso de seus sonhos, que revela quem e o que ela é, uma descendente dos Deuses gregos. Naquele momento tudo o que sabe de seu mundo é uma mentira, e ela deve deixar o presente e ir para o passado para assumir o papel que foi colocado nesta terra para, proteger o seu antigo império em meio a forças do mal que trabalham às pressas para destruí-la. Em uma corrida contra o tempo, Cordelia deve decidir se ela é realmente uma parte deste mundo perigoso, ou correr o risco de desafiar os deuses, e finalmente, perder o garoto que reivindicou seu coração.
Uma espécie de Percy Jackson com um quê de romance?!  *want* Eu dinitivamente leria Betrayl. Além de ter essa capa totally awesome (apesar de ser amarela e eca, amarelo...), tem essa sinopse inovadora. Talvez não tão inovadora, mas eu sempre achei mitologia muito interessante! E vocês, bonitos, quais desses livros conquistaram pela sinopse?

Promoção: "Leaving Paradise" e "Nothing"

Sorteio conjunto com a Giu do A mount of words. Vocês podem conferir a resenha de Leaving Paradise aqui no blog e no blog dela! Tá bem simples, então espero que gostem e participem. :)

As regras são:
1. Seguir Mulher Gosta de falar e o A mount of words pelo GFC.
2. Comentar nesse post pra validar participação
3. Ter endereço de entrega no Brasil





Sobre a pesquisa de opinião e as sutis mudanças

Primeiro quero agradecer a todo mundo que respondeu a pesquisa aqui do blog; sei que como temos um monte de coisas para ver na internet, perder alguns minutos com algo que não tem muito a ver com você pode ser chato. Eu gosto de responder as pesquisas dos blogs alheios porque posso dar uma sugestão que eu sempre quis dar, mas tive medo de estar soando pedante, haha. 

De qualquer jeito, as respostas obtidas através daquele formulário foram muito agradáveis! Não por serem todas positivas; é claro que não foram e eu estou agradecida, talvez, mais pelas negativas. Estão me dando margem para melhorar, deixando claro o que agrada vocês e o que incomoda. A opinião de vocês, leitores bonitinhos, é se suma importante para o Mulher gosta de falar! Obvio que não vou deixar de postar coisas que muito me agradem e a alguns de vocês, não. Aqui é um dos poucos lugares onde posso dar minha opinião, para quem entende ou conhece do assunto.

Não sou colocar porcentagem, como a Ana fez, apesar de ser bem mais organizado. O primeiro motivo é que foram poucas respostas, somente 20, e o segundo é porque eu não sei fazer automaticamente e theres no fucking way de eu fazer cálculos de porcentagem, quando não obrigada e ameaçada de morte. (Vocês, que gostam de exatas, são criaturas com inteligência sobre humana e o um gosto questionável, hein).

Resultado da promoção Me, Lola and the boy next door

Bonitinhos, primeiro quero pedir desculpas. Tenho estado tão ausente por aqui e me sinto péssima por isso. Não é legal abrir um blog que você gosta e ver que a blogueira não posta a quatro dias. Nem posso culpar ninguém, é falta de organização da minha parte mesmo. Minha mãe viajou na sexta e eu estava crente que ficaria em casa até ela voltar (ou seja: tempo de sobra pra postar, ler e visitar blogs que eu gosto), mas fui intimada a passar o final de semana na casa de uma amiga, haha. Como não tinha nada programado, não consegui pensar em nada e não quis ficar na internet o sábado e domingo todo na casa alheia. Como eu disse: falha minha. Em compensação, adiantei várias leituras (de livros que eu tinha comprado mesmo) e estou esperando alguns livros de parceria. Essa semana vou postar mais regularmente! Perdão mesmo, espero que não me abandonem. :(

Não sei se conseguirei colocar no ar a promoção de Sociedade Secreta, Rosa e túmulo que eu queria, por causa do escasso orçamento de estudante :( mas estava pensando em sortear Os 13 porquês - Jay Asher, que é um livro que eu gosto bastante, também. Que que cês acham? :)

Enfim, vamos ao que interessa: o resultado da promoção valendo o Lola and the boy next door - Stephanie Perkins. Muito obrigada a todo mundo que participou! E quem não ganhou, não vai ter que  esperar muito pra ser lançado aqui no Brasil já que a Novo Conceito vai publicar esse ano, ainda!


Já mandei email para a vencedora e ela tem 48 horas para responder, ou o sorteio será refeito. 

Cidade dos Ossos - Cassandra Clare

Título: Cidade dos Ossos, vol 1
Autor(a): Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Numero de páginas: 459

O gênero sobrenatural está longe de ser um dos meus favoritos. Confesso que é um preconceito bobo, mas não é fácil criar um mundo fantasioso crível e bem trabalhado e as poucas experiências que tive com livros dessa temática me desapontaram. Nunca tinha entrado em contato com nenhum sobrenatural que me despertasse tantas emoções – as negativas de Glimerglass não contam, obviamente - quanto Cidade dos Ossos. Foi uma agradável surpresa descobrir um enredo bem criado, personagens mais que cativantes e um romance de tirar o fôlego!

É complicado sintetizar a história do livro, porque é bem legal ir conhecendo aos poucos o mundo criado por Cassandra Clare, mas vou tentar, para dar uma minúscula visão sobre o que o livro gira em torno:

Clary e Simon, seu melhor amigo, estão a caminho de uma boate em Nova York chamada Pandemônio e lá ela presencia uma cena inesperada: três adolescentes com roupas e equipamentos estranhos matando um outro adolescente. O curioso é que ela não tarda em perceber que só ela consegue vê-los e o resto das pessoas estão completamente alheias à cena. 

Então Clary é introduzida ao mundo dos Caçadores de Sombras, que tem como objetivo central matar demônios, quando sua mãe é atacada e levada por seres do submundo. É aí que entra Jace, Alec e Isabelle, que a levam até o Instituto para descobrir porque a mãe de uma mundana (como os humanos são chamados) merece atenção de um demônio e porque Clary consegue vê-los. A partir daí tudo acontece muito depressa e grande numero de acontecimentos vão se desenrolando neste volume introdutório, abrindo portas para um novo e fantástico mundo. 

"Caçadores de Sombras: mais bonitos de preto do que as viúvas de nossos inimigos desde 1234"

Especialmente para quem gosta da temática sobrenatural, desde o primeiro livro a série Instrumentos Mortais se faz um prato cheio. Existem Nephilins, vampiros, lobos, demônios, fadas, bruxos e uma serie de outros seres. Para quem não é muito familiarizado ou não tem preferencia por esse gênero, é um prato cheio também já que eles são escritos de forma original e conhecida – vampiros bebem sangue, lobisomens caçam e demônios não são personificação de humanos charmosos e sim criaturas grotescas, por exemplo – e quando são seres não tão comumente retratados em livros, são bem descrevidos.

Gosto muito quando um autor sabe criar um pequeno mundo dentro de cada personagem, independente da importância direta que ele tem pro curso da história. Cassandra cria personagens tão distintos como seriam, somos na vida real. Tenho um carinho muito especial por Simon, por ser o típico garoto preso na friendzone por quem tenho simpatia, mas Jace é especialmente charmoso; o jeito hostil, sarcástico e arrogante e como temos pequenos vislumbres de um garoto frágil e atencioso (vem cá, seu lindo). Clary é uma personagem corajosa e leal e não costuma ficar se martirizando. 

A narrativa em terceira pessoa foca, principalmente, em Clary e os outros Caçadores de Sombras, mas de vez em quando nos permite ver o que acontece com um outro personagem mais afastado. A autora é daquelas que deixam pistas em alguns diálogos e parágrafos como que para antecipar o que está por vir; te deixar curiosos sobre as páginas ou capítulos seguintes. Aliás, diálogo é o que não falta em Cidade dos Ossos, mas não é nada em excesso, achei a quantidade de parágrafos e diálogos bem balanceada e é, com certeza, uma leitura ágil. Também é repleto de tiradas bem humoradas e comentários sarcásticos - geralmente, por parte de Jace - que sempre me agradam.

O que me incomodou talvez tenha sido a facilidade com que Clary aceitou a existência de tantos seres fantasiosos... Não é nem exatamente aceitar e sim acreditar. Acho que a maioria das pessoas hesitaria mais quando alguém contasse sobre a existência de Caçadores de Sombras e afins. Outra coisa que pode incomodar é o fato de que esse livro deixa muitas pontas soltas, termina com um final meio abrupto que faz a gente ficar frustrada e muito ansiosa pela continuação. Não foi algo que eu achei ruim, pois como sabia da existência dos quatro outros volumes, sabia que este seria mais introdutório. 

Depois de sair de leituras densas, reflexivas e com palavras difíceis, eu estava precisando muito de uma leitura leve e descontraída, um livro que divertisse, que agradasse não pela enorme habilidade na escrita da autora, mas pela história em si, pelos personagens e principalmente pelo romance. Que saudade que eu estava dos romances YA! E olhem, o romance nesse livro é simplesmente awesome, me deixava angustiada e suspirando! Foi um livro que realmente me agradou pela simplicidade. Recomendo veemente que você compre, pelo menos, os dois primeiros volumes, porque os finaisda Cassandra Clare são maquiavélicos com os leitores curiosos (oie), pessoal.
(PS: O que  é aquele quase final?! Eu fiquei com uma mistura dessa reação e essa outra aqui.)

Classificação:
 4 de 5 (Muito bom)

Minhas impressões #1 : Sociedade Secreta - Diana Peterfreund

Bonitinhos, esse vídeo tem um formato um pouquinho diferente dos que eu estou acostumada a postar. Geralmente eu só apareço aqui desse jeito na Caixinha do correio, mas decidi tentar algo diferente. A intenção era fazer vídeos curtos, de modo que não ficasse cansativo para as pessoas que têm preguiça de assistir e longo o suficiente para que minha opinião fica clara. Espero que agrade a todos, o tamanho.

O título é autoexplicativo, mas é basicamente a minha opinião sobre determinado livro (provavelmente vai ter enfoque), série ou filme. Esqueci de comentar algumas coisas, mas como é o primeiro, relevem. É como um teste ainda, se vocês gostarem (e pra eu saber, vocês tem que me dizer) eu continuo fazendo numa boa com algumas melhorias.


Coisas que esqueci de mencionar: a capacidade de Diana Peterfreund de criar personagens masculinos incrivelmente charmosos. Duas das minhas seis paixões literárias foram criadas por ela, então dá pra ver porque eu a venero. Gente, vocês não sabem o que é uma cena de tirar o fôlego e não ser nada vulgar, ao mesmo tempo, antes de conhecer Jamie (Poe soa tão melhor) e George!
Eles têm codinomes, cara! Eles têm nomes de sociedade! Eu sempre quis ter um nome assim e acho que Bugaboo é perfeito pra mim, também, poxapoxa. 

Quanto ao vídeo: O Movie Maker deu uma travada brutal e eu não tive como terminar de editar, já que queria postar logo pra vocês.  Salvei num formato novo, widescreen e acabou ficando bem pequeno, sorry! Qualquer erro, seja de coesão ou qualquer outra coisa, peço desculpas e prestarei mais atenção na próxima vez. Eu estava bem gripadinha, então é possível me ouvir fungando repetidas vezes, haha. Fora que eu continuo com meus tiques de mexer no cabelo incessantemente. Quem costuma assistir as Caixinhas do correio já está acostumado, mas aos novos visitantes, deixo explicado. :)

No final do vídeo eu falo sobre uma possível promoção (todos choram de emoção), então assistam lá e me respondam se estão interessados, pelos comentários. Me digam se gostaram do formato do vídeo e se o tamanho dele está bom. Obrigada a todo mundo que assistir!

O mundo pós-aniversário - Lionel Shriver

Título: O mundo pós-aniversário
Autor(a): Lionel Shriver
Editora: Intrínseca
Numero de páginas: 542
ISBN: 9788598078656
Cedido de parceria pela Intrínseca

Esse talvez tenha sido o livro mais voluptuosamente franco em que eu tenha posto as mãos. Ao contrário do que acontece no retrato psicológico Precisamos falar sobre o Kevin, onde temos cartas regadas de acontecimentos e malcriações hediondos que bombardeiam o leitor com sentimentos de repudia por não ser algo vivenciado com frequência, mesmo que nas páginas de um livro; em O mundo pós-aniversário somos apresentados a personagens quase insuportavelmente reais. O que você vai ler nas 542 páginas desse livro é a vida de uma mulher, seus dilemas, seus medos, seus vícios... Tudo isso contado em uma forma tão humana e verossímil como a vida de tantas outras, quanto for possível. Não é um livro para se ler em uma sentada e não é um livro que não se doa, durante a leitura. Mas é um livro que te deixa pensando, refletindo. O mundo pós-aniversário te faz reconhecer que o momento é tudo.
 
Irina McGovern é uma norte-americana ilustradora de livros infantis de quarenta e tantos anos que mantém uma união estável que já dura quase dez anos com Lawrence Trainer, um intelectual promissor de princípios sólidos que trabalha como funcionário de um centro de estudos estratégicos. Sob a ótica externa do pequeno circulo de amizade de Lawrence e Irina, eles têm o que todos procuram num casal: companheirismo e empregos que rendem uma vida confortável e segura. Segura até Irina sentir uma vontade latente de beijar outro homem.

Ramsey Acton é este outro homem, jogador de sinuca famoso no Reino Unido por sempre chegar às finais do campeonato, mas nunca ganhar o prêmio e por sua natureza charmosa e atraente. Seu contato com o casal se limitava a jantares no dia do seu aniversário, tradição que perdurou mais por causa de Lawrence que mantém a sinuca como interesse fervoroso do que por vontade de Irina. Eis que no septuagésimo aniversário de Ramsey, Lawrence está numa conferencia em outra cidade e insiste à sua mulher que leve o velho amigo para jantar. Irina reluta, mas acaba descobrindo ter uma noite fantástica e presa numa encruzilhada do “trair ou não trair?”.

É aí que começa, de fato, O mundo pós-aniversário e onde toda a beleza dele se esconde. Shriver tece sempre dois capítulos para uma situação, sendo no Primeiro relatado a vida segura que Irina tem com o homem previsível que é Lawrence e tendo pequenas felicidades como encontrar um tempero mais barato e assistir televisão toda noite; e o segundo com Ramsey, abandonando a vida contando centavos no mercado e mergulhando num relacionamento voluptuoso com um homem que ganha a vida com um dos jogos mais imprevisíveis que poderia existir, a sinuca. 

A história parece vulgar e sem pouco atrativos, quando contada em linhas gerais. Se fosse somente a dúvida pungente do “trair ou não trair”, seria tão mais simples! Exigiria tão menos tempo e reflexões decisivas, na mente do leitor. Novamente, é um livro que exige maturidade, talvez até mais do que em Precisamos falar sobre o Kevin, já que trata das relações sexuais dos parceiros como algo banal e também impossível de ser descartado. É um dos grandes pilares entre as duas vertentes e por mais que a linguagem seja um pouco menos rebuscada, nesses momentos, não se torna algo vulgar ou desagradável. A leitura em si, é muito áspera e impossível ser digerida em poucos dias, então não faz tanta diferença.

A maneira como Shriver escreve é simplesmente impecável e não nos permite ver um lado melhor do que o outro; um decorrer mais adocicado. A maneira como só há três personagens-chaves nos permite ter um aprofundamento de seu caráter e de suas histórias, tornando-os mais complexos e humanos. Se começamos a desgostar de um personagem no capitulo dez, por exemplo, é só para a escritora nos fazer criar um laco maior com ele, no capitulo dez, seguinte. A mensagem principal que o livro quer trazer é que toda e qualquer decisão tomada por nós, seremos humanos, terá suas consequências, sendo cada uma única e sua inteiramente. Como se houvesse não só um destino, mas vários e somos responsáveis por eles desde o momento em que aprendemos a fazer escolhas. Nos permite contemplar a beleza das escolhas supostamente bem feitas – porque nunca saberemos se ela foi, de fato -, como quando conhecemos alguém por quem temos grande carinho, num lugar mundano. É o a reflexão mais profunda do “e se?” que assombra todos nós.
 
"A ideia é que a gente não tem apenas um destino. As crianças, cada vez mais novas, são pressionadas a decidir o que querem fazer na vida, como se tudo dependesse de uma única decisão. Mas, seja qual for a decisão tomada, haverá altos e baixos. A gente lida com uma série de compensações, e não com um rumo perfeito, comparados ao qual todos os outros seriam uma porcaria. (...) Há vantagens e desvantagens variáveis em cada um desses dois futuros que rivalizam entre si. Mas eu não queria um futuro ruim e um bom. Em ambos, tudo dará certo, na verdade. Está tudo certo.”
 
Um livro que possivelmente te deixará com gosto agridoce na boca, pela maneira sarcasticamente franca como as relações afetivas entre homem e mulher são trabalhadas; fazendo reflexões sobre como somos todos substituíveis e não ficamos satisfeitos, em nenhum momento. Mais uma vez eu fui seduzida pela escrita de Lionel Shriver, que conduz seus livros com honestidade cáustica e proeza excepcional de caracterização, que nos deixa com essa verdade absoluta, não só no final do livro, mas em cada capítulo: Nada é perfeito, a não ser que não aconteça. 

Classificação:
4 de 5. (Muito bom)
O mais impressionante sobre esse livro é sua coesão e imprevisibilidade. Poucos escritores conseguem escrever um romance de forma tão bem-sucedida. Nesse tour de force, Shriver conduz dois. - USA TODAY.

A distopia na literatura contemporânea

Distopias funcionam como uma ficção cujo valor representa a antítese da utopia e são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo e controle opressivo na sociedade. Nelas, a sociedade se mostra corruptível e as normas para o bem comum mostram-se flexíveis.  A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações. Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. - Fonte: Wikipédia

Não tive contato nenhuma distopia antes de Jogos Vorazes (obrigada, Carolzinha.) e foi algo muito curioso de ser lido. Diferente dos romances que eu estava acostumada a ler e até dos sobrenaturais que não fazem parte dos meus favoritos, a literatura distópica se mostrou muito original. Era algo extraordinário e até crível, que me conquistou por esses exatos motivos.

Só que conquistou, também, milhões de pessoas ao redor do mundo impulsionando uma onda de novos livros seguindo essa mesma temática. É o caso dos seguintes títulos, publicados no Brasil há não muito tempo:


Em pouquíssimas palavras, o que acontece em Destino, Feios, Delírio, e Jogos Vorazes, respectivamente, é o seguinte: A Sociedade escolhe o Par – um companheiro, no sentido matrimonial -, quando completam 17 anos, de cada um; A Sociedade faz uma cirurgia reconstrutora, quando o individuo completa 16 anos, para tornar todo mundo bonito; O governo obriga que todos, assim que completarem 18 anos, sejam curados do amor, considerado uma doença; A Capital organiza um jogo televisionado onde 24 tributos se enfrentam numa batalha sangrenta até a morte e o único a sair vivo da arena ganha glória e fortuna. Dá pra ver que o controle opressivo da sociedade é bem tangível.

Esses são os livros distopicos mais conhecidos pela blogosfera (de que eu tenha conhecimento), mas creio que a fama de ser um sucesso instantâneo como foi com Jogos Vorazes, ainda venha a impulsionar a publicação de muitas outras obras: as pessoas querem ler distopias, editoras querem vende-las e autores querem escrevê-las. Devo admitir que temo que aconteça a mesma coisa que aconteceu quando Crepúsculo fez aquele sucesso: comecem a surgir livros atrás de livros, com a mesma temática e acabe por saturar nossa mente por tanta repetição. É uma temática que muito me agrada, mas não sei se será tão curioso de ler lido como foi, se for recorrente.


Mas pergunto à vocês, leitores: vocês gostam dessa temática? Acreditam que seja um formador de sucesso pela originalidade ou depende exclusivamente do talento do autor? Alguma dessas séries conquistou vocês e por qual motivo? Ficam um pouco apreensivos com essa grande quantidade de distopicos que podem ser publicados? Adoro ler as opiniões de cada um!